Archive for junho, 2008
A RENDIÇÃO DA VONTADE
“Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres”. (Mt.26:39)
A alma é a sede da personalidade inteira, pois todas as características de pessoa, do próprio “eu”, estão contidas na alma humana. A “vontade” é uma das partes que compõe a personalidade, é a sede das nossas decisões, onde reside o livre-arbítrio, ou seja o poder de escolha.
O que nos diferencia de toda a criação de Deus, nesta terra, é exatamente o fato de nos ter constituído um ser tripartido: espírito, alma e corpo. O espírito do homem conhece a Deus, enquanto a alma, tem a percepção de si mesma, que juntamente com o corpo, se aliam para a plena satisfação. A “vontade” pode ser manifesta da seguinte forma: EU quero, EU penso, EU sinto, EU faço… Humanamente falando, sabemos que a alma não abre mão de si mesma facilmente, e, que na maioria das vezes sua vontade é irredutível.
Certamente a vontade de Jesus não deixou de se manifestar e nem foi anulada pela vontade de Deus. A vontade de Jesus era fazer a vontade do Pai e agradá-lo, e para isso, rendeu a sua própria vontade, para morrer na cruz.
“Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade.”
Jesus veio a esse mundo com uma missão clara “redimir a humanidade” com seu próprio sangue e esta era a vontade de Deus e a missão que Jesus teria que cumprir. Quando Jesus orou para que não fosse feita a sua vontade, mas a vontade do Pai, não quiz dizer que não era da vontade de Jesus ir até o fim do sacrifício, e sim que a vontade de Jesus era permanecer diante do Pai, mesmo diante da morte de cruz, o que Cristo não podia suportar era ficar longe da presença do Pai.
Ao olharmos para o primeiro casal da Bíblia, fica claro a opção de escolha que fizeram, pois puseram a perder tudo para que a vontade do homem fosse satisfeita, ignorando a vontade Deus, mudando assim, o curso da história.
Duas decisões, a de Cristo e a de Adão e Eva, dois caminhos eternos foram traçados, um de vida e outro de morte.
Quantas vezes ouvimos expressões como “eu quero, mas não consigo”.
Quando o homem não exerce seu poder de decisão, ele é roubado e aprisionado pelo diabo, com pensamentos e sentimentos distorcidos.
Deus nos chamou à liberdade, quando nos deu o livre-arbítrio para expressarmos a nossa vontade, exercendo o direito de escolha, e mais ainda, em Cristo, nos deu a oportunidade de conhecer a Sua Vontade, dando-nos a oportunidade de orar como Jesus: “não seja feita a minha, mas a tua vontade”.
Render a nossa própria vontade, é escolher o caminho que nos leva à ressurreição e a vida, que nos devolve a plenitude de quem somos e para que viemos a existir, podendo como Cristo, agradar e fazer a Vontade do Pai.
DE QUEM ÉS FILHO?
“Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos Aba, Pai.” (Rm.8:15)
O apóstolo começa considerando o pleno resultado do Evangelho, e destaca em primeiro lugar, o crente como filho e herdeiro. A palavra “Adoção” (gr. huiothesia), significa “colocando em posição de filho”, não se trata tanto de uma palavra de relacionamento, mas sim de posição.
Uma vez posicionados como filhos e herdeiros, não podemos mais permitir, que o espírito de escravidão, do passado, nos domine novamente, e venha nos tirar da posição que o Senhor Jesus nos colocou.
“Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” (Tg.4:7)
Resistir, significa opor-se, ir contra, ficar de pé. Precisamos resistir e permanecer na posição de filhos.
“Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé…” (1Pe.5:8,9)
O apóstolo Pedro, igualmente adverte a respeito da oposição e da posição. Jesus quando enviou os 70 discípulos, disse:
“Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo poder do inimigo, e nada absolutamente, vos causará dano.”
Estamos sob a proteção do “sangue de Jesus”, que é infalível e impenetrável em qualquer batalha! O espírito de escravidão se apresenta para roubar a fé, trazendo dúvidas, aumentando as dificuldades para que as situações se agravem, mostrando a sua força, e é, neste momento em que a fé se levanta como uma linha divisória entre a ação de Deus e a ação do mal. Deus quando olha vê dois tipos de pessoas, a que crê e a incrédula, o que recebeu o espírito de adoção, como filho de Deus, ou aquele que está debaixo do domínio do espírito de escravidão, como filho da ira.
A fé vê o que Deus vê, o medo vê o que o diabo vê.
Doze espias foram enviados até Canaã, dez deles pereceram, não creram na promessa, apenas dois alcançaram a herança e creram na promessa e no poder de Deus. Todos pisaram na terra da prosperidade, mas só Josué e Calebe, viram como Deus via, por isso foram participantes da herança.
O rei Saul e todo o seu exército, viram o que o inimigo queria que vissem e o medo os paralisou diante das ameaças do gigante Golias. O inimigo se fortalece contra as pessoas que não têm fé. Davi, como está escrito em 1Sm.17, se ergue e enfrenta o inimigo dizendo:
“Vou contra ti em nome do Senhor dos Exércitos.”
Davi viu a sua vitória no Senhor e a proclamou notificando ao inimigo. Derrubou o gigante e lhe cortou a cabeça.
“Então Saul lhe perguntou: De quem és filho, jovem?”
Davi foi erguido e colocado em posição de evidência diante de toda uma nação e despertou interesse sobre sua filiação. Vivemos um tempo único e decisivo de tomar posse da herança, como filhos de Deus. Não podemos desprezar o opositor que se levanta contra nossas conquistas, precisamos nos posicionar espiritualmente, e fazer guerra.
Assim como Neemias reagiu diante da ameaça de morte, respondendo:
“Um homem como eu, fugiria?”
O que tem o espírito de adoção, como filho de Deus não se deixa atemorizar e nem paralisar diante do seu inimigo, pois em Cristo Jesus, somos mais do que vitoriosos! O oposto ao medo não é a coragem, mas a fé! Lute e notifique ao inimigo a sua vitória, e muitos te farão a mesma pergunta: DE QUEM ÉS FILHO?
A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ E PAZ COM DEUS
“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.” (Rm.5:1)
Três passos importantes estão evidenciados nesta passagem: 1- justificação pela fé em Cristo, e, consequentemente paz com Deus; 2- acesso, ou liberdade de entrada no gozo de Deus, onde o crente tem o privilégio de permanecer; 3- regozijo na esperança da futura manifestação da glória de Deus.
Nos dois primeiros versículos, nos chama a tenção para o regozijo de olhar para o alto e contemplar as maravilhas da Redenção e nos demais versículos nos dá mais motivos de regozijarmo-nos com as tribulações da vida presente, porque nelas também se vê a mão e a misericórdia de Deus.
Hoje é o tempo de Deus para nos lembrarmos, mais do que em tempos passados, de tão grande Salvação e nos alegrarmos pois o dia do Senhor se aproxima!
“Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.” (v.5)
Pela primeira vez em Romanos, é mencionado o Espírito Santo, como também “o amor de Deus”, pois uma das provas daquele que tem o Espírito Santo é o profundo reconhecimento do amor divino.
Podemos observar as frases: “e não somente isto” (duas vezes) e “muito mais” (cinco vezes). Cremos que aí está o desafio, para aquele que ama a Deus, ir mais além, ter sua visão ampliada pela graça alcançada em Cristo, e pelas bênçãos espirituais que foram liberadas: justificação, paz, acesso, firmeza, esperança, salvação, e reconciliação.
Momentos antes da maior entrega no Getsêmani e na crucificação de Jesus, Ele orou ao Pai:“É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus; ora, todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e, neles, eu sou glorificado.” (Jo.17:9-10)
Esta intercessão contem uma promessa, um tesouro escondido de grande valor para aqueles que o descobrem e reclamam em fé, pelo seu cumprimento, pois a promessa de Deus está acima de qualquer recurso, ou dificuldade. Ela é uma realidade na vida daquele que crê em Jesus, que exerce uma fé viva, que comparada à palavra virtude (aretê), significa excelência. Como servos de Deus, temos que ser excelentes em tudo que fazemos e somos, nenhum de nós pensa em ser medíocre, no trabalho, na escola, na faculdade, no ministério, etc.; pelo contrario, com todos os atributos como filhos de Deus em Cristo, somos perseverantes, determinados e vitoriosos em tudo que empreendemos. Temos que buscar um nível de excelência, como pessoa, como pai, como mãe, como filho, como líder, como profissional, etc., buscando dar o nosso melhor, sempre.
O que nos caracteriza como filhos de Deus, é a nossa vida de fé e a excelência como expressamos esta fé ao mundo e diante do próprio Deus. Seja o melhor, viva com excelência!
EM TEMPO DE GUERRA
“O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” (Jo.10:10)
Jesus Cristo denuncia a guerra espiritual que é travada pelo diabo na disputa das almas que pertencem a Deus. Jesus afirma: “Eu sou a porta das ovelhas” mas o ladrão e salteador, sobe por outra parte para roubar, matar e destruir.
“Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas.” (v.11)
Jesus traz um alerta, de que haverá oposição espiritual para aqueles que servem a Deus, e torna-se imprescindível que cada cristão se posicione e seja treinado para enfrentar o mundo espiritual com autoridade; pois a guerra espiritual não consiste em vencer o diabo, que já foi vencido na Cruz do Calvário, mas sim, em apropriar-se desta grandiosa vitória e notificar ao diabo que ele já foi derrotado e não tem mais poder, isto é fazer guerra.
A confissão dos pecados e a obediência à Palavra de Deus, nos concede autoridade contra o inimigo.
“Sede vigilantes, permanecei firmes na fé, portai-vos varonilmente, fortalecei-vos.”
(I Co.16:13)
Três coisas são necessárias para a guerra:
1a.) Assumir uma atitude de guerreiro: ter a prontidão para a batalha e a disposição diária de enfrentar o inimigo de frente.
2a.) Identificar o inimigo: o principal é o diabo. Este se utiliza como instrumento direto a carne, que alimenta o pecado e também a influência do mundo, como sistema da maldade.
3a.) Preparar-se para a guerra: fortalecer-se no Senhor. Depender exclusivamente da fortaleza que vem de Deus em Cristo e jamais depender da força humana.
4a.) Estar firmes: permanecer de pé.
5a.) Submeter-se a Deus: tomar a decisão de viver na Palavra; Jesus mesmo sempre esteve no centro da vontade de Deus e pela Sua submissão e sensibilidade ao Espírito Santo, venceu o maligno.
6a.) Tomar da armadura de Deus: é um revestimento real que se recebe no momento da conversão e que devemos aprender a usa-la diante do inimigo. Não é algo que se tira ou põe; faz parte da nova natureza, como soldados de Cristo, e é de tempo integral.
“Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e depois de terdes vencido tudo permanecer inabaláveis.” (Ef.6:13)
PASSOS FIRMES PARA A VITÓRIA
1o.) Confissão dos pecados: uma confissão aberta e completa; um período de intercessão não só pelos pecados pessoais, mas a exemplo de Daniel cap.9, que entendeu o poder da oração sacerdotal, humilhou-se confessando os pecados da própria nação, assim temos que orar pedindo perdão pelos integrantes da nossa família, células, autoridades e daí por diante.
2o.) Aplicar o Poder do Sangue de Jesus: Ap.12:11; é notificar ao inimigo que graças a este sangue que perdoa e purifica de todo o pecado (1Jo.1:7), o cristão tem direito à benção dobrada e também à proteção de Deus. No miundo espiritual um cerco de proteção é erguido e o inimigo não pode atravessar.
3o.) Cancelar os Argumentos: que foram erguidos por palavras, pensamentos e ações. Declarando que estão cancelados e anulados por Cristo na Cruz do Calvário.
“E cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contraria. Ele a removeu, pregando-a na cruz.” (Col.2:14)
4o.) Atar o Valente: é notificar ao diabo que o “Filho de Deus”, o atou e o saqueou na Cruz, abrindo a porta para a salvação da humanidade. Notifique ao inimigo que ele tem que sair e está proibido de agir novamente (Mc.3:27).
5o.) Declarar a Palavra específica da Promessa: as palavras no nome de Jesus, têm o poder de mudar o ambiente espiritual, cancelando a maldição e fazendo valer a benção de Deus.
6o.) Pedir a parceria do poder do Espírito Santo: depender do respaldo e da ação do próprio Deus, que nos concede toda a vitória.
“Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder.” (Ef.6:10)